MUDANDO DE CASA
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Escrito por sergiomelo às 02:17:52 AM
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AS DIVERSAS DEFINIÇÕES DE VALOR
Busco no dicionário o significado de Valor. Pode ser definido como aquela qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito (Houaiss). Seus detentores contribuem para a comunidade dos valores certos.
Mas há outros significados, quase todos aliás, que nos remetem a dinheiro, ou ‘bufunfa’, no linguajar mais chão. São os incertos valores, em torno dos quais gravitam uma enormidade de interesses, legítimos uns, espúrios outros.
No enxadrismo, um exemplo dos valores certos
Salão de jogos do Open de Moratalaz, setembro de 2008.
Mesa 2 da rodada final: MI Krikor Mekhitarian vs. GM Alexandr Fier, ambos brasileiros.
Partida de especial interesse para o GM espanhol Almagro, que perderia o título em caso de vitória do Fier.
Final de jogo: vitória de Krikor, derrotando não só o compatriota como, também, a suspeita de eventual conluio.
E os brasileiros receberam os cumprimentos da direção pelo comportamento ético.
...e um outro dos incertos valores
Salão de jogos de um determinado torneio de xadrez em São Paulo, dezembro de 2008.
Mesa 2 da rodada final: jogadores Alfa (brancas) e Beta (pretas), ambos brasileiros.
Partida de especial interesse para o jogador Gama, na mesa 1, que perderia o título em caso de vitória de Beta.
Final de jogo: vitória de Beta em notável sequência de... mate ajudado!!
Alfa e Beta receberam o descumprimento da direção, que desqualificou o resultado e determinou a realização de match extra entre Beta e Gama para decisão do título (ao final e justamente ganho por Gama).
A parte mais complicada da vida é a formação do caráter pessoal. Há fatores de influência positiva e há fatores de influência negativa. Os exemplos acima ilustram ambos os casos.
Mas a escolha final é sempre de cada invidíduo.
Escrito por sergiomelo às 07:31:14 PM
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A CARTA ABERTA QUE NÃO EXPLICA E UM CONVITE AO MESTRE EX-CANDIDATO
Em carta aberta divulgada no último dia 27, o Grande Mestre Giovanni Vescovi explana sobre a renúncia de sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Xadrez, cujas eleições se realizam hoje, dia 29.
Lançara-se candidato imbuído na crença de que, uma vez eleito, seria o fator de união (a referida ponte) ou, ao mínimo, de conciliação entre as correntes várias (os muros) que perpassam o mundo enxadrístico nacional.
Até aí tudo bem, trata-se de uma personagem nova no cenário político da modalidade, sem um passado que o desgaste ou desmereça.
O que causa estranheza são os motivos que o levaram à desistência do pleito. Alega a possibilidade dos resultados da eleição, por ser equilibrada, desembocarem em questionamentos judiciais posteriores, com repercussão nefasta na modalidade.
De duas uma: ou o mestre sabe mais do que expõe, ou acreditava que seu prestígio pessoal como jogador de elite seria suficiente para galvanizar todo ou quase todo o eleitorado, pulverizando qualquer chapa concorrente, se houvesse. As eleições seriam favas contadas.
Mas o mundo dos gabinetes não é o mesmo dos tabuleiros, e eleição não se ganha apenas porque se tem um currículo pessoal de respeito. Fora assim, várias de nossas federações não estariam sendo vítimas do mesmo “choque” que o mestre candidato pretendia evitar no plano nacional.
Por outro lado, acreditar que o tal Conselho, se instituído, significará um promissor modelo de gestão é próprio deste período de virada de calendário, em que anseios são expressos sem nenhum pé na realidade. Afinal, um órgão que apenas recomendará, sem capacidade deliberativa, será apreciado pelo mandatário de plantão apenas se bem lhe aprouver. Presidencialismo puro é isto. “Mando eu, recomenda quem quer.”
Para terminar, deixo aqui uma sugestão, se algum valor tiver, para o mestre ex-candidato: que tal em 2009, num plano mais local, lançar-se candidato a mandatário da Federação Paulista de Xadrez?
Seria uma iniciativa muito bem vinda, mas para que o mestre possa adentrar vitorioso naquele recinto específico do Conjunto Baby Barione, ao invés da conciliadora ponte, teria ele de adotar como símbolo de campanha o aríete: aquele madeiro pesado com ponta recoberta de ferro, usado para romper portas de fortaleza. Porque ali o feudo não largará o osso com discurso brando.
Escrito por sergiomelo às 11:30:14 AM
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CASCAS DE BANANA NO CAMINHO DO PABLYTO
No Comunicado 285, de 24/12/2008, a Confederação Brasileira de Xadrez anuncia a renúncia do GM Vescoci ao pleito pela presidência da entidade, que ocorrerá dia 29 próximo.
São doze longos parágrafos e nenhuma linha sobre os reais motivos da desistência do mestre.
Em que pese a vilegiatura pelo país e elaboração de um sítio específico, o fato é que a candidatura não cativou a maioria do eleitorado, e nos bastidores a derrota era previamente anunciada.
Ao contrário o que pressupõe o texto, e pela inexperiência administrativa, não é exatamente claro para todos “que ele teria sido um excelente Presidente”, mas é corretamente presumível que “ele (e o xadrez nacional) seria prejudicado se assumisse um encargo tão pesado”.
O Comunicado prossegue com a idéia de se implantar um esdrúxulo Conselho “cuja finalidade não seria diminuir o presidencialismo da CBX, mas sim fazer recomendações, se necessário”. E mais adiante (aqui ajustando o tempo verbal), “que ele (o tal Conselho) nunca precise fazer uma recomendação”.
Algumas interrogações, então, saltam ao ar:
Por que o tal ‘Conselho’ não foi implantado no próprio triênio que se encerra? Seria interessante observar como o espírito centralista da atual gestão conviveria com um tal órgão “recomendador”...
Se o objetivo não é querer (mas já querendo, como diria o filósofo Chaves) diminuir o presidencialismo da CBX, por que a advertência ou quase ameaça de “que ele (o tal Conselho) nunca precise fazer uma recomendação”? Terá ele, então, poder de emitir voto de desconfiança, incompatível com o regime de presidente?
Por que apenas o patriciado e um representante dos ‘heróis’ deteriam lugar no tal Conselho? Não haverá assento algum para a vastíssima turma da planície, os de ratings inferiores, os jogadores que efetivamente movimentam o xadrez e bancam a estrutura da confederação? Continuarão no último degrau de importância perante a gestão confederativa?
A futura e promissora administração da entidade não pode e não deve se escorar em estranhável acordo costurado no apagar das luzes da atual gestão. Como se dele necessite para se eleger. E para que não tenhamos novo espécime de dublê, desta feita em âmbito nacional.
O verborrágico comunicado mais oculta do que expõe. Podem haver cascas de banana no caminho do Pablyto.
A conferir.
Escrito por sergiomelo às 03:31:19 PM
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O FMA-GATE DE LÁ E O PAPAI NOEL DAQUI
O FMA-gate de nossos hermanos
A entidade pública argentina denominada Instituto Provincial de Jogos e Cassinos doou 50 mil pesos à Federação de Xadrez de Mendoza (FMA) para organizar o Campeonato nacional absoluto desse esporte em maio deste ano.
Naquela ocasião, entre o organismo público e a entidade privada havia algo mais que uma boa relação: os dois eram presididos pela mesma pessoa, Daniel Pereyra. Ou seja, ele fez doação de verba pública para si próprio.
Segundo a nota da federação, o dinheiro serviu para custear os gastos de “organização, estadia, prêmios, arbitragem, passagens e alimentação dos jogadores”.
Mais doação
Ao mesmo tempo o poder Executivo local, através da Secretaria de Esportes, também entregou outra importante soma de dinheiro – 52 mil pesos - à mesma Federação. Com que finalidade? Exatamente também para custear as mesmas despesas do mesmo campeonato nacional absoluto.
A terceira doação
Houve ainda mais um subsídio – 15 mil pesos - autorizado diretamente pelo próprio governador da província, com vistas a realização do mesmo(!!!!) campeonato.
O dirigente que lá também transpira xadrez
Daniel Pereyra é um homem influente no mundo do xadrez argentino. Seu pai foi um jogador destacado e quem conhece o presidente do Instituto assegura que “aonde vai, ele leva o xadrez”. Por isso, quando foi reitor da Universidade do Congresso ali se realizavam os torneios mais importantes. Dentro do Poder Executivo da província de Mendoza, Pereyra tem um contato privilegiado com o Governador. Segundo contam quem os conhecem, o chefe do Executivo tem plena confiança nessa amizade que se mantém desde que ambos eram estudantes universitários.
O inquérito
As graves suspeitas de corrupção no xadrez argentino, o chamado FMA-gate, numa clara alusao ao Watergate americano, recheiam as páginas do Diário Los Andes e são investigadas pela Contadoria Geral.
A quem se interesse pelos pormenores do caso, com mais análises e fotos dos envolvidos, clique no link para a mídia local:
http://www.notichess.com.ar/noviembre/FMAgate.htm
Ao final das contas, ainda bem que isto são coisas que não acontecem por aqui…
O PRESENTE DE PAPAI NOEL DAQUI
É simplesmente inexplicável (ou até se explique de uma forma impublicável aqui) como a FPX, entidade federativa de xadrez com a melhor receita do país, advinda da salgada anuidade dos filiados e dos polpudos repasses regulares da confederação, e auto-incensada como “uma das maiores Federações de Xadrez da América Latina”, não consegue realizar um único evento oficial, mesmo com módica premiação, sem se valer da captação de recursos públicos.
Assim é que o ano de 2008 já quase se encerra, mas no apagar das luzes o governo do estado, por meio de sua Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, concede um mimo à FPX, para que esta realize dois eventos que estavam fadados a gorar no calendário oficial: o Paulista do interior e o Paulista relâmpago.
Restou para as calendas gregas o Paulista de Veteranos, desprestigiado como sempre.
Desta vez são $ 30.000,00 reais para o regabofe natalino que se transcorre de 19 a 21 de dezembro em Santos.
Convenhamos, não é muito, perto do vertedouro de dinheiro público que abasteceu as burras federativas ao longo dos onze meses anteriores.
Mas é o bastante para tornar farta e caprichada a ceia dos mandarins, mormente nesses ares de crise e com o dólar nas alturas. Salvam-se assim as nozes e avelãs importadas…
E salvam-se também otras cositas más, como diria o impoluto hermano Dario Pereyra se aqui prestasse consultoria de gestão de recursos públicos.
A desfaçatez de agora é que apenas $ 3.700,00, ou doze por cento (!!) daqueles trinta mil presenteados, chegarão efetivamente ao público alvo, que são os enxadristas que se dispuserem a jogar os dois torneios assinalados. Eles devem se contentar com as sobras do valor captado.
Os restantes 88% comporão o transparente cenário da devida prestação de contas futura.
Mas haverá sempre a convincente explicação: há que se atender aos inevitáveis custeios de gastos, como banners, camisetas, dispendiosas páginas na internet.
Não se deve olvidar o inescusável dispêndio com a “equipe FPX” . Afinal vão ali cachês, transporte, estadia, alimentação, tudo em tratamento VIP.
Não se excluem gastos com a eficiente assessoria de imprensa, a elaborar “releases” para as editorias de importantes mídias do estado.
E haverá sempre de se socorrer do auxílio inestimável dos colaboradores terceirizados, aqueles costumeiros parceiros especialistas em “administração e participação”, “comunicação visual”, “gráfica e confecção”, etc. e etc.
Feitas as contas, é quase uma proeza de gestão levar tudo a bom termo com apenas os 27 mil reais que pingaram do saco do Papai Noel, já compensados os caraminguás das premiações.
Mas isto não surpreende a quem sabe reconhecer que os destinos do xadrez paulista são orientados por aquele que se autodescreve como um experiente "que há 36 anos desenvolve o trabalho em prol (ops!) do xadrez.
Escrito por sergiomelo às 02:09:52 AM
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O VOTO QUE CONSTRANGE E A TRANSPIRAÇÃO COMO FARSA
A página on line da Confederação Brasileira de Xadrez anuncia para o dia 29 de dezembro a data das eleições para renovação da diretoria da entidade.
Há pelo menos dois nomes autodeclarados candidatos a dirigente máximo do xadrez nacional. Ambos advogados, jovens, mas com atuações diferenciadas no mundo enxadrístico: um deles como mestre no tabuleiro, o outro como árbitro e dirigente federativo.
Pablyto Baioco Ribeiro (ler entrevista), árbitro e dirigente, expõe um currículo de realizações à frente da federação espíritossantense e alinhava um rol de propostas para o triênio 2009-2011, caso eleito. Compromete-se a dar continuidade à gestão honesta que se finda, reformulando-a nos pontos e atitudes questionáveis, que sempre os há.
Giovanni Vescovi , em que pese a inexperiência administrativa, constrói um sítio específico para divulgação de suas idéias e projetos. As páginas se revestem de gala na forma, mas o conteúdo, embora abrangente, é genérico, sem explicitar prioridades, talvez uma forma de não correr o risco de contrariar expectativas em face de um eleitorado restrito mas de interesses e anseios discrepantes, dado o desnível patente entre as federações regionais.
Ambos os candidatos, por estratégia de campanha, não deixam transparecer seus grupos apoiadores, que certamente existem, mas do rol de federações com direito a voto, a única que explicita sua preferência é a do Rio de Janeiro, com tietagem escancarada em prol do mestr
Fica a dúvida se a qualidade deste apoio se traduz em benefício ou em prejuízo do candidato, tal a natureza controvertida da administração federativa carioca.
Com efeito, definiria como constrangedor o voto de uma entidade em que, como exemplo de incúria, partidas de torneio oficial são anotadas em papel de pão e cujos dirigentes, por ação e omissão, “estão se esmerando... em prol da decadência do xadrez do Rio de Janeiro.” (Blanco).
Mas pode ser que o nosso mestre candidato endosse a tese do assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, que, indagado sobre o apoio de mensaleiros a seu chefe, afirmou que “constrangimento é não ter voto”. Tudo conviria, desde que se traduza em vantagem nas urnas.
Mas com apoio de tal jaez, o perigo são as contrapartidas que o voto que constrange exigirá do mestre, caso vitorioso no pleito.
A TRANSPIRAÇÃO COMO FARSA
Num envergonhado mea-culpa, a Federação Paulista de Xadrez informou na barafunda de sua página on line, os resultados do "grandioso" torneio escolar de Americana, a cidade para onde foram destinados o milhão e meio de reais que possibilitariam a suas crianças e adolescentes, uma inédita e transformadora transpiração enxadrística.
Assim rezava a profecia do dublê de presidente.
Isto sem contar os caraminguás das dezenas de milhares de reais de verba municipal para os sempre rendosos cursos de capacitação.
Estiveram na competição quatro categorias de jogadores, de Sub 8 a Sub 14, meninos e meninas disputando a mesma prova, cuja a soma mal alcançou 71 jogadores, com a Sub 14 reunindo tão-somente 10 (dez!) jogadores.
Para atender essa demanda de transpirantes atletas, e para que a arbitragem não necessitasse em nenhum momento de suar a camisa, a organização designou nada menos que 13 (treze!) árbitros! Quase um atendimento personalizado, mesa a mesa.
Mas o melhor (ou o pior) vem na seqüencia, no formato de uma matéria jornalística chapa branca ornada por fotos pouco ilustrativas. Somos informados que "uma vez por semana, cada escola recebe um monitor - capacitado em curso ministrado por Luiz Loureiro, o Polivalente, que atende duas turmas de alunos em sessões de uma hora e meia" (quanta transpiração!).
Mais adiante ficamos sabendo que "cada escola tem, além de jogos e tabuleiros em tamanho e peso oficiais, dois murais magnéticos e dois (apenas?!) relógios de xadrez. Além disso, esclarece que há dois exemplares do xadrez gigante, alternados semana a semana entre as escolas (ora, alternância com tanta verba disponível?)
No fim, tenta-se justificar o número pequeno de jogadores: "para a primeira edição, preferiu-se limitar (?) o número de inscritos por escola" e ainda "não se deve esquecer que é época de feiras de ciências e similares" (falta de verba para o planejamento?).
E o cúmulo da desfaçatez: “...que certas categorias têm menos alunos porque nem todas as escolas municipais oferecem classes para todos os anos do Ensino Fundamental"
Ah, então tá!...
E o comunicado federativo se encerra com a previsão (ou seria ameaça?) de que tudo se repetirá no ano vindouro.
Só ficou faltando, por ocasião da premiação final, e para que o evento terminasse com as honras que lhe são devidas, aquela farta distribuição de narizes circenses ao público contribuinte presente.
Escrito por sergiomelo às 12:19:48 AM
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AQUILO QUE NÃO SE EXPLICA, A GENTE ESCONDE
Em nota publicada em agosto na página on-line da Federação Paulista de Xadrez, o dublê de presidente da entidade tentou justificar o injustificável esquema de convites para as inscrições no malfadado Torneio Internacional da (falsa?) Amizade, realizado nos salões zumbis da rua Araujo.
O texto, co-assinado pelo 'parceiro' Herman Claudius, mais ocultava que esclarecia. Ali o escrivinhador enumerava os critérios pelos quais fora composta a lista da pré-seleção dos amigos(?) que teriam o direito de participar do evento, pretensamente anunciado como “mais um marco na história do Xadrez brasileiro”.
Acontece que o escriba omitiu deliberadamente a informação que deitaria por terra quaisquer justificativas plausíveis para a esdrúxula pré-seleção discriminatória: a de que o parceiro fundamental para a concretização do evento foi o Governo do Estado, que por despacho do governador em exercício liberou à FPX, por meio da Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer, a verba de R$ 80.000,00 (uau!), recorde olímpico de captação do ano para os cofres federativos.
A tal Fundaçao Max Euwe, holandesa, em realidade, teve como parceira, pródiga, a nossa secretaria de estado, sempre ela mantenedora do viciado esquema "torneio fechado" de contabilidade duvidosa e "torneio aberto" de premiação sovina.
Tendo sido o evento abastecido por verba pública, como explicar o fundamento legal (e moral) da elaboração de lista de convidados, vedando, de forma discricionária, a este ou aquele contribuinte enxadrista interessado o direito de jogar o torneio?
Então tivemos o acinte: a trupe federativa se apropria de dinheiro do povo paulista, utilizando-o como se recursos privados fossem. Como exemplo do escárnio, a mãe de um promissor enxadrista paulistano de 10 anos, teve a inscrição on-line do filho simplesmernte rejeitada por não estar o jovem pré-selecionado como ‘amigo’. E a rejeiçáo veio expressa com todas as letras em mensagem eletrônica expedida por um dos 'luminares' da organização do evento.
E some-se a isto a taxa escorchante exigida dos ‘amigos” para jogarem o torneio, cujos custos já estariam regiamente cobertos pelo polpudo numerário público embolsado.
O saudoso ex-campeão mundial e teórico enxadrista Max Euwe, pretensamente homenageado, deve estar se revirando na tumba quando a mesma trupe federativa se proclama “honrada em elevar o ideal” do grande mestre.
Afinal, o que esperar de uma entidade que acumula ao longo do ano quatro convênios estaduais que, somados, alcançaram $ 300 mil reais, mas cujos frutos não superam, por exemplo, o exemplar e democraticamente realizado Aberto de Registro de 2008?
A bissexta coluna “A palavra do presidente”, inserida na página on-line da federação, bem que poderia ser atualizada para mencionar a celebração do quarto convênio estadual como mais uma prova da autoproclamada “respeitabilidade que a Federação conquistou junto aos órgão públicos”.
Pois é a mesma respeitabilidade que não passou incólume pelo crivo do Tribunal de Contas do Estado, cujo conselheiro Dr. Robson Marinho, em sentença proferida no processo TC-022117/026/07, apontou "diversas falhas na prestação de contas" da Federação Paulista de Xadrez.
Mas, qual! Uma atitude transparente no tocante aos usos e costumes na gestão dos convênios permitiria ao público alvo dos eventos a inevitável comparação entre os elevados recursos obtidos e os indigentes resultados alcançados.
Prevalece ali, espertamente, o lema rubens-ricuperiano de que aquilo que se pratica de ruim, ou de inexplicável, a gente esconde.
RECLAMEM COM O BISPO
Aconteceram em terras de Minas, nas últimas semanas, o Campeonato Brasileiro Escolar (Poços de Caldas), e o Campeonato Pan-americano Escolar (São Sebastião do Paraíso).
Se nos tabuleiros as coisas andaram corretas, fora deles, em ambos os eventos, é que o “bicho pegou”, como afirmaram alguns responsáveis por menores participantes: desorganização quanto ao cumprimento de horários, informações desencontradas, acomodações algumas lamentáveis (mormente quando o público alvo eram crianças, cujo todo zelo é pouco), entre outros percalços a lamentar (e superar).
Aos pais e mães cujos desabafos chegaram ao meu conhecimento, eu recomendaria em tese que colocassem tudo no papel, ou no correio eletrônico, e remetessem para a Confederação Brasileira de Xadrez. Mas, à atenção de quem? Procura-se em vão ali um ouvidor. Se nos últimos anos a administração fechou-se em copas, não seria agora, em final de gestão, que a coisa passaria a funcionar.
Restam duas alternativas: aguardarem as eleições estatutárias em dezembro para que "os futuros comandantes da CBX reconstruam o xadrez em nosso país com a dignidade que ele merece" (palavras do incansável e pai de enxadristas Cláudio Tamarozi - CXMC), ou, como sugiro, reclamarem com o bispo. Infelizmente.
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Escrito por sergiomelo às 12:37:07 AM
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O BUSÍLIS DOS CONVITES ENCALHADOS
Depois do GM Henrique Mecking, o Mequinho, ainda que a quilômetros de distância, a personalidade do xadrez brasileiro mais conhecida internacionalmente é o MI Herman Claudius van Riemsdijk, holandês naturalizado brasileiro, campeão brasileiro em cinco oportunidades (salvo engano), recordista de participações nessa competição, árbitro internacional, ex-presidente da Federação Paulista de Xadrez e do Clube de Xadrez São Paulo, redator durante décadas de uma coluna de xadrez no mais importante jornal brasileiro.
Esse superstar de uma modalidade quase secreta no país chega aos 60 anos, com muita saúde. Para comemorar, obtém um patrocínio internacional e faz, aqui na capital paualista, na sede do Clube de Xadrez São Paulo, um torneio denominado Internacional da Amizade. Atribui uma premiação de $ 10 mil reais, que para os padrões brasileiros é excelente.
Elabora uma extensa lista de convidados, faz o indefectível torneio fechado simultâneo e registra-o na Federação Paulista de Xadrez, CBX e Fide.
Aparentemente, tudo para ser um sucesso. No entanto...
Eis que menos da metade das vagas disponíveis foram preenchidas; das 30 reservadas a estrangeiros apenas uma foi ocupada.
Onde estaria, então, o busílis do encalhe dos convites?
Estaria ele no sistema adotado de participação por convite, antipático para uns, enganoso para outros?
Sistema antipático porque discriminatório, malgrado a tentativa de explicá-lo em “nota de esclarecimento” inserida na página on-line da FPX, cujas entrelinhas deixou entrever ter sido o critério primordial e não-confessado a exclusão dos eventuais desafeiçoados.
E sistema enganoso também porque, segundo o Houaiss, temos as seguintes acepções para o termo “Convite”:
Convite é “presente, dádiva; gratificação”;
Convite também é “aquilo que estimula; incentivo, estímulo”;
E convite também é “bilhete que dá direito a ingresso gratuito em um espetáculo”.
Assim, como se pode ser convidado ou estimulado a participar de um evento, se ato contínuo é-se instado a recolher a não-módica quantia de 60 reais aos cofres federativos? Se convite enseja gratuidade, por quê da participação onerosa?
Talvez o busílis esteja no enfoque promocional do evento: afora o apoio da página on-line da FPX, visualmente confusa, o sítio pessoal do aniversariante, denominado Hiperchess (e da qual se esperaria ser a página oficial do acontecimento), há meses não é atualizado e tampouco esta realização motivou sua retomada; nem mesmo o sítio do clube que sedia o evento nada informa a respeito. Uma lástima.
Quem sabe, outrossim, o busílis se encontre na desestimulante distribuição concentradora dos prêmios, aliás um viés recorrente no ambiente federativo?
Mas, esteja o búsilis onde estiver, concluí-se que apenas verba expressiva vertida ao xadrez não traz a este esporte, por si só, estímulo e massificação: os recentes exemplos positivos de Registro-SP e Braço do Norte-SC estão aí para serem reproduzidos. Desde que haja interesse e seriedade.
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Escrito por sergiomelo às 02:33:21 AM
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"HONESTO, MAS AUTORITÁRIO, DIFÍCIL DE LIDAR"
Como noticiado, no último trimestre deste ano ocorrerão eleições estatutárias da Confederação Brasileira de Xadrez. E também como noticiado, existe já um candidato declarado ao posto máximo da estrutura do Xadrez nacional.
Trata-se do jovem advogado Pablyco Baioco Ribeiro, atual dirigente da federação espírito-santense. Em entrevista ao Celso Esteves Moron nas páginas da Casa do Xadrez, alinhavou suas idéias a respeito. E se boas intenções valerem, o candidato começou bem, quando afirma, como marco inicial de sua possível gestão, “dar continuidade ao excelente trabalho do Sérgio Freitas”, uma vez que “a casa está em ordem...”
Houve avanços consideráveis na gestão que se finda, sem dúvida, principalmente no tocante à racionalidade administrativa. Os ralos por onde se escoavam as receitas auferidas foram extirpados, graças a idoneidade moral do seu dirigente. E não apenas a idoneidade, mas também à vontade política de impor a seus pares a desambição de servir-se do cargo para auferir vantagens indevidas.
Mas não se pode qualificar o trabalho de qualquer dirigente como perfeito ou bem acabado só por suas qualidades meramente pessoais. Estas são condição primeira, mas não o suficiente. Pois restaram questões controversas que devem merecer a apreciação e consideração do sr. Baioco Ribeiro, caso eleito.
A QUESTÃO DO AUTORITARISMO
Há alguns dias, comentou-me um ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, pessoa íntegra, que à época manteve relações de trabalho com o Sr.Sérgio Freitas: “Honesto, mas autoritário como ele só, difícil de lidar”.
A este respeito é bem elucidativa a resposta do presidente da CBX ao sr. José Blanco, do RJ, sobre questão pertinente por este levantada. Depois de ampla explanação a principio cordata sobre o tema, o sr. Freitas termina com uma desancada de doer: "Portanto, você não tem nenhuma razão. E eu nem precisaria responder (sic)". Como diria o Clodovil, foi uma "rodada da baiana".
O “Comunicado CBX n. 235” é emblemático quanto ao tema, com seus efeitos macartistas tupiniquins felizmente suspensos por decisão judicial, que houve por bem reconhecer a truculência como incompatível com o estado de direito.
Espero do sr. Baioco Ribeiro, se eleito, melhor adequação ao cargo que é fundamentalmente político, no bom sentido do termo. E que pede a predisposição para escutar, argumentar, contra-argumentar, ponderar, por vezes saber transigir.
A QUESTÃO DA TRANSPARÊNCIA
Uma iniciativa inovadora da gestão que se finda foi a iniciativa de expor os balanços mensais da entidade na Internet, comportamento hoje somente reproduzido pela federação paranaense. Mas, por que parou? Parou por quê?
Fica a esperança, também, de que o sr. Baioco Ribeiro, se eleito for, assuma a retomada deste procedimento e, quem sabe, com a consolidação desta exemplar atitude com sua inserção nos estatutos, fazendo disto obrigação saudável aos futuros gestores.
A QUESTÃO DA POLÍTICA DO (DES)ESTÍMULO
Se, em decorrência da política (ou falta de) aplicada nos últimos anos, as categorias sub 08 e sub 10 estão no último degrau da importância, por que ainda se cobra de cada uma a taxa de cadastro anual, a mesma taxa da qual eram isentas até a gestão anterior, inclusive até a categoria sub 12? Servem estas crianças (e os seus pais) apenas para subsidiar o apoio que a CBX dá aos ocupantes do topo da pirâmide?
Outrossim, o problemismo é modalidade de xadrez regulada e apoiada pela FIDE, havendo, inclusive, campeões do mundo da modalidade. Por que a CBX praticamente ignora a questão, que tem incontáveis adeptos por este Brasil afora?
Os temas abordados nos dois parágrafos acima vão na contramão do que se entende como massificação do xadrez, que a entrevista aponta como de interesse especial do possível futuro presidente.
A QUESTÃO DO AFUNILAMENTO PROGRESSIVO DOS GASTOS
A confederação encontra-se eficientemente estruturada para arrecadar aquilo que é devido pelos seus cerca de 30.000 cadastrados, mas deve-se discutir uma nova política de aplicação desta formidável (para os padrões do xadrez nacional) receita auferida, evitando-se o atual afunilamento progressivo dos gastos em benefício de menos de 0,1% dos enxadristas afiliados.
Um exemplo: participaram do Campeonato Sulamericano Sub-20 vários enxadristas nacionais, que tiveram as despesas pagas pela confederação; por que, no caso das competições nacionais, os jovens campeões não têm, de parte da CBX, a regalia nem da isenção das taxas de inscrição?
Outro exemplo: talentosos jogadores nacionais já alcançaram, ou estão por alcançar, ao menos o título de Mestre da Fide, muitos deles suportando sacrifícios financeiros para praticarem e evoluírem no xadrez; por que a CBX não poderia subsidiar a dispendiosa regularização perante a Fide?
PAUTA PARA O PRÓXIMO TRIÊNIO
Estas são questões, além de muitas outras, sobre as quais terá a palavra final o sr. Baioco Ribeiro, ou quem venha a ocupar no próximo triênio o posto máximo do Xadrez nacional, com esperanças de que a gestão futura justifique a qualificação de perfeita ou bem acabada.
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Escrito por sergiomelo às 01:30:00 PM
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